segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Novena a Sagrada Face de Jesus


Reze a novena a Sagrada Face:

Oração preparatória para todos os dias

Senhor, procuro Vossa Face! Não me afasteis para longe dela por causa de meus pecados; não desvieis de mim Vosso Santo Espírito.

Fazei brilhar sobre mim a luz da Vossa Face, instruí-me no caminho dos Vossos mandamentos.

Eterno Pai, contemplai a Face de Vosso Filho e por seus infinitos merecimentos concedei-me um ardente desejo de reparar as injúrias feitas a Vossa Divina Majestade e a graça que desejo alcançar nessa novena. Assim seja.

Primeiro dia

Oração: Oh! Amorosíssimo Jesus! Vossa palavra e a expressão de Vossa Face abrasada em amor nos revelam, no Cenáculo, a veemência com que Vosso coração desejava a hora de dar-nos a Eucaristia!
Inflamai meu coração de amor por esse sacramento adorável, visitando-o e recebendo-o frequentemente com a pureza dos anjos.

Consideração: Se Jesus me ama, se Sua Face me procura, o que me detém? Que me pede Jesus, senão amor e confiança? Negar-lhe-ei?

Virtude a praticar: Desprendei-vos, pelo menos de coração, de todas as coisas da terra. Seja Jesus vosso tesouro.

Oração final para todos os dias: Deus Todo-Poderoso e Misericordioso, nós Vos suplicamos que, venerando a Face Santíssima de Vosso Filho, desfigurada na Paixão por causa de nossos pecados, mereçamos contemplá-la eternamente no resplendor da glória celeste. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Assim seja.

Segundo dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh, Vítima Divina, meu doce Jesus! Face adorável, banhada em suor de sangue no Getsêmani, descobre-me a grandeza de Vossas dores e a gravidade dos meus pecados. Dai-me a mim e a todos os pecadores um sincero arrependimento com firmíssimo propósito de nunca mais pecar.

Consideração: Por toda a parte onde se mostrou sobre a terra, a Sagrada Face de Jesus abençoou, perdoou, curou e fez o bem. Jesus dirige o mundo com Seu olhar!
Eu O invoco, porque não serei atendido?…

Virtude a praticar: Sede dócil às inspirações da graça. O olhar de Jesus que vos solicita é uma graça; entregai-vos a sua celeste influência.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Terceiro dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh! Meu amabilíssimo Jesus! Vossa Face augusta e serena teve uma expressão de dor imensa ao receber o beijo do traidor.
Dai-me a graça, eu vos suplico, de participar de Vossa íntima aflição pelos sacrilégios que cometem os que Vos recebem em pecado mortal no Sacramento de amor, desagravando assim, a traição de Judas.

Consideração: Sim, eu sei, meu Redentor está vivo. Essa mesma Face que eu contemplo hoje, tão amargurada pela traição de um apóstolo infiel, hei de contemplar um dia radiante de graça e esplendores. E se eu for fiel, assim a contemplarei por toda a eternidade. Meu bom Jesus, mostrai-me Vossa Face.

Virtude a praticar: Fidelidade em observar os mandamentos divinos: “Falai, Senhor! Vosso servo Vos escuta”.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Quarto dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh! Meu dulcíssimo Jesus! Vossa Face de infinita bondade é objeto do mais vil insulto pela cruel mão de um servo em casa de Anás.
Assim Vos tratam, meu doce Salvador, porque aborrecem Vossas palavras de justiça e de caridade sem limites.
Não permitais que eu jamais me vingue de meus inimigos, mas que os perdoe sempre e de todo o coração.

Consideração: Devo oferecer-me inteiramente a Deus, para fazer só sua adorável vontade; farei esse oferecimento em união com Jesus orando, a Face contra a terra no Jardim das Oliveiras.

Virtude a praticar: Fazei penitência; praticai a contrição de vossos pecados alheios; aceitai, em espírito de expiação, as penas e amarguras que Deus aprouver enviar-vos.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Quinto dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh! Meu pacientíssimo Jesus! Na noite tenebrosa de Vossa Paixão, Vossa Face sacrossanta tornou-se semelhante à de um leproso! Desprezos, escarros, bofetadas e injúrias sem número desfiguram Vosso formoso semblante!
Perdoai, Senhor, Vosso povo ingrato que com suas blasfêmias e crimes de toda espécie, renovam tão horríveis afrontas a Vossa Face augusta e venerada! Perdoai, Senhor!

Consideração: Jesus tem os olhos cerrados para não ver meus pecados…
Continuarei nas minhas iniquidades?…
Até quando afrontarei essa Face que pacientemente sofre e me espera?
Até quando?… Até quando?…
Não a consolarei com a minha entrega total?

Virtude a praticar: Tende a coragem da fé, não temais o olhar e as palavras dos homens, quando se tratar de um dever a cumprir ou de uma falta a evitar.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Sexto dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração:
Soberano Rei e Salvador! A majestosa dignidade de Vossa Face, vilipendiada e coroada de espinhos, proclamou solenemente Vossa realeza sobre as nações, confirmadas pela profética voz de Pilatos diante do povo judeu, ao dizer: “Eis o vosso Rei”. Concedei-me, ó Rei da Glória, um ardoroso zelo para propagar Vosso Reino, ainda que seja à custa de minha vida.

Consideração: Acabrunhado sob o peso de minhas iniquidades, que farei diante de meu divino Rei? Por que hesitas, minha alma…Não é Ele teu Salvador?… Por acaso sua Face não te contempla com doçura e amor?
Cheia de confiança, prostra-te aos pés de Jesus, dizendo-lhe de todo coração: “Meu Senhor e meu Rei! Eis aqui minha alma e meu corpo: eu me ponho, inteiramente sob o império de Vossa Face ultrajada”.
Reinai sobre mim para sempre!

Virtude a praticar: Fazer morrer em vós, pela mortificação, todos os desejos e movimentos aviltantes que poderiam ofender a Sagrada Face e renovar as suas dores.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Sétimo dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh! Meu querido e generosíssimo Jesus! Vossa Face de Deus-Homem se iluminou, subitamente, com os esplendores de um santo gozo, ao estreitar em Vossos braços a suspirada cruz!
Dai-me coragem para tomar a minha cruz e seguir-vos com ânimo constante e generoso até o fim de minha vida.

Consideração: Se amo e me compadeço verdadeiramente dos ultrajes pela Face adorável de meu Salvador, devo amar meus irmãos desgarrados e pedir a Deus que os converta.

Virtude a praticar: Que o zelo de reparação vos inflame! Exercei-o por meio de comunhões, orações, palavras e exemplos, enfim, por todos os meios que a vista do mal cometido deve inspirar-vos.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Oitavo dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh! Meu terníssimo Jesus! Qual não deve ter sido a expressão de doçura de Vossa Face quando Verônica se aproximou de Vós para enxugá-la! Com que amorosa gratidão a contemplastes e qual não foi o seu assombro ao achar impressa em seu véu a Vossa Face desfigurada, mas cheia de amor!…
Fazei que eu contemple, meu amado Redentor, Vossa Paixão com tanto amor e ternura que os traços da Vossa Face fiquem gravados em meu coração.

Consideração: Meditando no amor de Deus por mim, amor estampado em Sua Face retalhada e amortecida, ainda terei dificuldade em esquecer os males que me causaram, de perdoar os que me ofenderam, de qualquer maneira, de amar sinceramente meu próximo e pedir a salvação para todos os homens?

Virtude a praticar: Suportar pacientemente as injúrias e as friezas de vosso próximo, aceitai o que elas têm de penoso para o coração, em espírito de reparação, por tudo o que Jesus sofreu em Sua Face adorável.

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Nono dia

Oração preparatória para todos os dias (no início)

Oração: Oh! Meu Santíssimo e amado Jesus! Vossa Face de Reparador divino, coberta pelas sombras da morte, aplacou as justiças do Eterno Pai, e Vossas últimas palavras foram penhor seguro de eterna felicidade.
Que minha vida e minha morte sejam uma contínua reparação unida a Vossa e a de Vossa Mãe Santíssima, a quem invocarei sempre com o nome da Mãe.

Consideração: Quando irei e aparecerei diante da Face de meu Deus? Quando o verei face a face?

Virtude a praticar: “Quem me contempla me consola! Se alguém contemplar a minha Face, Eu derramarei meu amor nos corações e por meio de minha Face se obterá a salvação de muitos pecadores!” Almas generosas, procurai e contemplai sempre a adorável Face de Jesus!

Oração final para todo os dias (sempre como no primeiro dia)

Amém.




















Existe uma tradicional devoção para cada dia da semana: quais são?




Domingo é o dia do Senhor, quarta é de São José, sábado é de Maria... E os outros dias?

Além da celebração litúrgica própria de cada dia do ano, também existe uma tradicional devoção para cada dia da semana.

Todo domingo, para começar, é desde os primórdios do cristianismo o “dies Domínicus”, ou seja, “o dia do Senhor”, consagrado a nosso Senhor Jesus Cristo, que, nesse dia, ressuscitou dentre os mortos.

Segundo a Enciclopédia Católica, a segunda-feira também era devotada ao Filho de Deus, mas, ao longo da Idade Média, passou a ser dedicada ao Espírito Santo. Este mesmo dia também recorda de modo especial as almas do purgatório, mas, ainda segundo a enciclopédia, esta é “uma devoção livre e voluntária que a Igreja aprova sem prescrever”.

As terças-feiras, na tradição popular católica, são dedicadas aos Anjos da Guarda.

A quarta-feira é o dia da semana em que a Igreja nos convida a honrar com especial devoção o grandíssimo São José, “esposo da Virgem Maria e pai adotivo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Esta jornada semanal também nos chama a pedir particularmente a graça de ter uma boa morte quando chegar a nossa hora de partir desta vida para a eternidade – de fato, São José é o padroeiro da boa morte porque teve o privilégio de falecer ao lado de ninguém menos que Jesus e Maria.

A quinta-feira é dedicada à Santíssima Eucaristia, por ser o dia em que Jesus a instituiu durante a Última Ceia, quando também ordenou sacerdotes os Seus apóstolos e estabeleceu o sacramento da reconciliação.

A sexta-feira recorda, é claro, a Paixão de Cristo.

E o sábado é tradicionalmente dedicado a Nossa Senhora, o que guarda relação com o Sábado Santo em que ela se recolheu entre o dilacerante sofrimento pela morte brutal de Jesus no Calvário e, ao mesmo tempo, a confiante e luminosa espera pela Sua Ressurreição.




Anjos e demônios



Anjos e demônios” talvez esse seja um dos temas que mais atraia o interesse das pessoas. Saiba o que a Igreja Católica diz sobre eles.

Anjos e demônios. Temos uma certa inclinação para o surpreendente, para o extraordinário e para o misterioso. Até por isso, esse tema também gera muitas especulações (não no sentido de serem informações erradas, mas por não serem questões fechadas dentro da Sã Doutrina).

O que queremos mostrar aqui é o que a Igreja ensina sobre essas criaturas espirituais. Existem? Possuem corpo? Que tipo de influência exercem em nossa vida? Vamos ler um pouco sobre esse assunto!

Anjos e demônios existem?

Primeiramente: anjos e demônios existem! Isso é uma verdade de fé! Tanto a Tradição quanto as Escrituras são unânimes em descrever esses seres espirituais. Aqui é bom, como introdução ao tema, ressaltar que anjos são anjos e seres humanos são seres humanos. Dizemos isso porque é extremamente comum ouvirmos, quando alguém perde um ente querido, a seguinte frase: “Meu pai virou um anjinho no Céu”. Entendemos o caráter carinhoso da frase, mas seria como dizer: “Meu pai virou um cachorrinho”. Não nos tornamos anjos da mesma maneira que anjos não se tornam seres humanos. Mas isso não é motivo de tristeza, afinal, se dissermos “meu pai está com os anjos no Céu”, expressaremos grandiosamente nosso afeto e nosso desejo de salvação por aquela alma.

O que a Igreja ensina sobre anjos e demônios?

O Catecismo da Igreja Católica aborda o tema especificamente dos números 325 ao 336. “Anjo” significa mensageiro, que diz respeito à função e não à natureza angélica. Servem a Deus, portanto, por meio de mensagens.

O mundo espiritual, anjos e demônios

Acabamos de comentar que o nome “anjo” diz respeito à função e não à natureza. Como diz Santo Agostinho, se queremos falar da natureza angélica, estamos falando de um ser puramente espiritual. E isso é muito relevante, pois destaca a realidade perene do mundo espiritual, criado desde sempre por Deus.

Quando pensamos nas representações dos anjos (incluindo os três Arcanjos, Gabriel, Rafael e Miguel) vemos seres com asas e feições harmônicas ou infantis. Não devemos pensar que isso seja verdade em sentido literal. Essa é uma didática muito utilizada para que consigamos expressar realidades imateriais por meio de estratégias materiais. E essa representação expressa a pureza e a elevação dos espíritos angélicos.


Anjos: o que a Igreja ensina sobre eles?


Isso é tema de inúmeros tratados! Realmente é algo apaixonante de se estudar. Vamos sintetizar em alguns pontos:

1) Os anjos são seres pessoais

Isso quer dizer que são dotados de inteligência e vontade. Inclusive, pelo fato de terem vontade, Deus deu a todos os anjos o livre-arbítrio. Aqueles que escolheram se rebelar contra Deus se tornaram anjos caídos, os demônios.

2) Foram criados no início de tudo

As Escrituras confirmam que os anjos estavam sempre, de longe ou de perto, anunciando a história da salvação e servindo os desígnios divinos para tal.

3) Cristo é o centro do mundo angélico

Nosso Senhor é o centro porque tudo foi criado por e para Ele. E em toda vida de Jesus os anjos estavam presentes: na Anunciação a Maria, no nascimento, na sua infância, nas tentações do deserto, no Horto das Oliveiras…

4) Há um número muito grande de anjos

Santo Tomás de Aquino responde na Questão 50 da Suma Teológica que os anjos existem em grande número. E isso é confirmado por passagens da Sagrada Escritura, como por exemplo no livro do Apocalipse de São João: “ Vi e ouvi de muitos anjos em redor do trono dos vivos e dos anciãos, em número de miríades e de milhares de milhares.”

5) Os coros angélicos

A hierarquia angélica é tema de muita curiosidade, tendo sido abordada por grandes nomes da Igreja, como Santo Ambrósio, São Gregório Magno e Santo Tomás de Aquino. São nove, divididos em três ordens. Essa hierarquia diz respeito ao grau de sabedoria (iluminação) de Deus, que vai sendo difundida para as ordens menores.

ºPrimeira ordem:
Primeiro coro: Anjos
Segundo coro: Arcanjos
Terceiro coro: Principados
ºSegunda ordem:
Quarto coro: Potestades
Quinto coro: Virtudes
Sexto coro: Dominações
ºTerceira ordem:
Sétimo coro: Tronos
Oitavo coro: Querubins
Nono coro: Serafins

Entre os anjos e demônios está o nosso anjo da guarda

No número 336 do CIC, a Igreja afirma que desde o início até a morte “todo fiel é ladeado por um anjo como protetor e pastor para conduzi-lo à vida.” São companheiros discretos, fiéis, poderosos e eficientes. Aliás, esse ensinamento talvez seja um dos mais consoladores da Santa Igreja. Saber que um ser de tão elevada natureza, por obediência a Deus, se presta a nos auxiliar pessoalmente no caminho da santidade, é algo de ímpar felicidade. Muitas vezes esquecemos disso. O ignoramos ao longo da nossa rotina. Esquecemos de pedir por sua proteção. Na verdade, esquecemos até de dar um bom dia!

São Miguel Arcanjo




São Miguel Arcanjo é o príncipe da milícia celeste. Representado com uma lança, subjugando a seus pés Satanás, é o grande exemplo de humildade que se transforma em magnanimidade. Afinal, se o demônio disse “Eu sou maior que Deus”, São Miguel diz: “Quem como Deus?”. Ele aparece, na Bíblia, no livro de Daniel (10,13; 12,1).

A quaresma de São Miguel Arcanjo

Vem se tornando extremamente popular a realização da Quaresma de São Miguel Arcanjo. Uma devoção privada que costuma ser realizada do dia 15 de agosto até o dia 29 de setembro. Alguns modelos com orações são sugeridos, sendo também recomendada a realização de alguma penitência. Vale lembrar que ela pode ser feita em qualquer época do ano.

São Gabriel Arcanjo

São Gabriel é mais conhecido por sua participação ativa em anunciar à Santíssima Virgem Maria a vinda de Jesus. É responsável por uma das mais belas frases de toda mística cristã: “Ave, cheia de graça! O Senhor é contigo”. Também vemos o Arcanjo no livro de Daniel (8,16; 9, 21).

São Rafael Arcanjo

Por fim, o terceiro Arcanjo de nome conhecido. Seu nome significa “Deus cura” e é representado por um jovem em traje de viagem. Na Bíblia, sua aparição é narrada no Livro de Tobias, em uma admirável ajuda dada a Tobit, Tobias e Sara.

Outros anjos nas escrituras

São tantas passagens que esse artigo ficaria gigante! Separamos algumas:

O sacrifício de Abraão (Gn 22 10-11)
A travessia do mar vermelho (Ex 14,19)
Um anjo anuncia às santas mulheres a ressurreição (Mt 28,2-6)
A libertação dos apóstolos por um anjo (At 3, 17-21)

Quem são os demônios?

Um demônio nada mais é que um anjo que foi condenado eternamente. É o que muitos chamam de anjo caído. Comentamos mais acima que também aos anjos foi dado o livre-arbítrio após serem criados. Nesse momento, foram submetidos a uma prova, pois não viam Deus em sua essência. Nessa prova, aqueles que não obedeceram de maneira definitiva se tornaram os demônios. E isso foi acontecendo de maneira gradual nesse “tempo” chamado eternidade. O grau de ódio e de pecado dos demônios os levaram a uma maior ou menor deformação. Aliás, é por isso que é frequentemente representado por imagens disformes. É uma didática para representar a ruptura com a pureza angelical.

Muito é dito sobre a hierarquia demoníaca, em semelhança inversamente proporcional à hierarquia angélica. Porém, isso não é uma verdade incontestável e há divergências entre teólogos, santos e alguns sacerdotes exorcistas. Por exemplo: se discute se Lúcifer e Satanás são dois nomes de um mesmo espírito ou se são seres diferentes. Quem defende essa segunda vertente (por exemplo, o Padre José Antônio Fortea, autor da Suma Demoníaca) que afirma que Satanás é o “maior” em hierarquia no inferno e Lúcifer o segundo.

Eles têm algum poder sobre nós?

Toda a ação do demônio no mundo só ocorre por permissão divina. Portanto, apesar de ser absolutamente incontestável que ele age no meio de nós, não devemos nos inquietar em nenhum momento com esse pensamento. Principalmente por dois motivos:

1) Nada é causado pelo demônio até que se prove o contrário

Essa frase é de altíssima relevância porque não podemos delinear nossa fé e nossa rotina no extraordinário e no preternatural. Nossas fraquezas, nossas inclinações e nossas impressões são suficientes para explicar a maior parte dos erros e das dificuldades que passamos. Até porque, quanto mais discreto passa o demônio, melhor para ele. Afinal, a sua manifestação desperta a certeza na existência do Bem.

2) É o demônio que deve nos temer

Ele sabe que errou, mas ele só não é capaz de se arrepender. Ele sabe que aqueles marcados pelo sinal da cruz no batismo são os filhos do Todo-Poderoso. Ele seguramente nos odeia. Mas sabe que nada pode fazer com aqueles que servem e amam o Senhor.

Na Oração do Pai Nosso, sempre pedimos que Deus nos proteja contra o mal. 







À Sagrada Face de Cristo, origem e como praticar a devoção

 

Esta santa devoção teve origem com a impressão milagrosa do Rosto de Cristo no lenço de Verônica, uma tradição muito respeitada na Igreja. 

O Papa Bento XVI fez questão de venerar o Véu de Verônica na cidade de Manoppello na Itália, em setembro de 2006. Durante sua visita ao santuário, Bento XVI foi o primeiro Papa a poder novamente venerar a relíquia, meio milênio após seu desaparecimento da Basílica de São Pedro.

Esta devoção cresceu muito também por causa da importância que a Divina Face teve na vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. Outro fato que fortaleceu a devoção foram os surpreendentes estudos da figura de JESUS no santo Sudário de Turim; além das revelações à Irmã M. Pierina de Micheli (†1945), a mensageira da Sagrada Face dos últimos tempos.

Em maio de 1938, a Virgem Santíssima mostrou (em visão mística) à Irmã Pierina, um escapulário formado de dois paninhos. Num ela viu a Face de JESUS com as palavras ao redor: “Ilumina, Domine, vultum tuum super nos” (“Senhor, fazei resplandecer a Vossa Face sobre nós”). No outro estavam escritas em volta de uma hóstia as palavras: “Mane nobiscum, domine” (Senhor ficai conosco). Lentamente Nossa Senhora se aproximou e disse:

“Escuta bem e transmite ao teu confessor que este escapulário é uma arma de defesa, escudo de fortaleza e penhor de misericórdia que JESUS quer dar ao mundo nestes tempos de sensualidade e de ódio contra DEUS e a Igreja. São poucos os verdadeiros apóstolos. É necessário um remédio divino e este remédio é a FACE de meu Filho.

Todos aqueles que usarem o escapulário, e sendo lhes possível, cada terça feira visitar o Santíssimo Sacramento fazendo “Uma Hora Santa”, para reparar os ultrajes que recebeu e continua recebendo meu Filho, cada dia, no Sacramento Eucarístico, serão fortificados na Fé, estarão prontos para defendê-la e hão de suportar todas as dificuldades internas e externas. Além disso morrerão serenamente sob o olhar de meu Filho”.

Semanas mais tarde JESUS apareceu também e disse:

“Quero que Minha FACE seja honrada com uma festa própria na Terça-feira da Quinquagésima (terça-feira de carnaval) e que esta festa seja preparada por uma novena durante a qual todos os fiéis façam Comigo reparação”.

Em vez de fazer escapulários a Irmã Pierina mandou cunhar medalhas. Preocupada por isso recorreu à Nossa Senhora que novamente lhe apareceu dizendo:

“Minha filha, não se preocupe, pois, o escapulário é substituído pela medalha com todas as promessas e favores. Só resta difundi-la mais ainda. Ora, interessa-me muito a festa da Sagrada FACE de meu Filho. Diga ao Papa que esta festa muito me interessa”.

Irmã M. Pierina falou três vezes ao Papa e o Sumo Pontífice, ciente do pedido do Céu, não se fez esperar. No dia 15 de março de 1957, havendo já aprovado a propagação da medalha, facultou a celebração da festa, isto é, aos Beneditinos Sivestrinos de Roma. Em 10 de janeiro de 1959 o Papa João XXIII concedeu a mesma licença, a todos os Bispos do Brasil.

Para merecer as graças prometidas é necessário:

Usar a medalha, contemplar com amor, muitas vezes a Sagrada FACE, zelar pela devoção, fazendo a Hora Santa, nas Terças-feiras, promover anualmente a novena em preparação à festa na terça-feira de carnaval, e seguindo o exemplo dos grandes devotos da Sagrada FACE, ler e meditar diariamente o Novo Testamento. Todos os dias rezar:

5 Pai Nossos; 5 Ave Marias; 5 Glórias; em honra das cinco chagas de Nosso Senhor JESUS CRISTO, rezando também a oração composta por Pio IX, e a aspiração que a segue:

“Ó meu JESUS, lançai sobre nós um olhar de misericórdia! Volvei Vossa Face para cada um de nós, como fizestes à Verônica, não para que A vejamos com os olhos corporais, pois não o merecemos. Mas volvei-A para os nossos corações, a fim de que, amparados sempre em Vós, possamos haurir nesta fonte inesgotável, as forças necessárias para nos entregarmos ao combate que temos que sustentar. Amém.

Senhor, mostrai-nos a Vossa Face e seremos salvos!”


A "Súplica ardente aos Santos Anjos"





Os Santos Anjos nos foram dados por Deus como guias e protetores especiais, mas muitas vezes nos esquecemos de rezar a eles. Para este fim, pode ser de grande utilidade esta “Súplica ardente”, recomendada para situações extraordinariamente difíceis.

A oração a seguir, muito propagada pela Obra dos Santos Anjos, recebeu aprovação eclesiástica do Vicariato de Roma em 6 de fevereiro de 1997, e é um auxílio poderoso em situações extraordinariamente difíceis — como são as que vivemos.

Consiste essencialmente em súplicas aos Santos Anjos, e de modo especial aos Arcanjos cujos nomes, revelados nas Sagradas Escrituras, conhecemos: São Miguel, São Gabriel e São Rafael. Que os fiéis se dirijam em prece a esses espíritos bem-aventurados, é coisa que não deve impressionar ninguém, especialmente se estamos acostumados a recitar a célebre oração do Santo Anjo. Tampouco nos deve surpreender que eles tenham recebido de Deus o encargo de nos proteger, quando a própria Escritura dá testemunho disto: “O Senhor deu uma ordem a seus anjos, para em todos os caminhos te guardarem” (Sl 90, 11) — sem falar dos incontáveis testemunhos da Tradição a esse respeito.

Disponibilizo abaixo, enfim, o texto dessa oração, que pode ser rezada individualmente e em dois coros.

Súplica Ardente aos Santos Anjos

Deus uno e trino, onipotente e eterno! Antes de suplicarmos aos vossos servos, os Santos Anjos, prostramo-nos diante de vós e vos adoramos, Pai, Filho e Espírito Santo! Bendito e louvado sejais por toda a eternidade! E que todos os anjos e homens, por vós criados, vos adorem, vos amem e vos sirvam, ó Deus santo, Deus forte, Deus imortal!

— E vós, Maria, Rainha de todos os anjos, aceitai benigna as súplicas dirigidas aos vossos servos e apresentai-as junto do trono do Altíssimo — vós que sois a onipotência suplicante e medianeira das graças — a fim de obtermos graça, salvação e auxílio. Amém.


Poderosos Santos Anjos, que por Deus nos fostes concedidos para nossa proteção e auxílio, em nome da Santíssima Trindade nós vos suplicamos:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos pelo poderosíssimo nome de Jesus:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos por todas as chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos por todos os martírios de Nosso Senhor Jesus Cristo:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos pela Palavra santa de Deus:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos pelo Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome do amor que Deus tem por nós, pobres:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome da fidelidade de Deus por nós, pobres:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome da misericórdia de Deus por nós, pobres:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome de Maria, Rainha do Céu e da terra:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos em nome de Maria, vossa Rainha e Senhora:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos pela vossa própria bem-aventurança:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos pela vossa própria fidelidade:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos pela vossa luta na defesa do Reino de Deus:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Nós vos suplicamos:
— Protegei-nos com o vosso escudo!

Nós vos suplicamos:
— Defendei-nos com a vossa espada!

Nós vos suplicamos:
— Iluminai-nos com a vossa luz!

Nós vos suplicamos:
— Salvai-nos sob o manto protetor de Maria!

Nós vos suplicamos:
— Guardai-nos no Coração de Maria!

Nós vos suplicamos:
— Confiai-nos às mãos de Maria!

Nós vos suplicamos:
— Mostrai-nos o caminho que conduz à Porta da Vida: o Coração aberto de Nosso Senhor!

Nós vos suplicamos:
— Guiai-nos com segurança à Casa do Pai celestial!

Todos vós, nove coros dos espíritos bem-aventurados:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Vós, nossos companheiros especiais, a nós dados por Deus:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

Insistentemente vos suplicamos:
— Vinde depressa, socorrei-nos!

O Sangue Preciosíssimo de Nosso Senhor e Rei foi derramado por nós, pobres.
— Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos!

O Coração de Nosso Senhor e Rei bate por amor de nós, pobres.
— Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos!

O Coração Imaculado de Maria, Virgem puríssima e vossa Rainha, bate por amor de nós pobres.
— Insistentemente vos suplicamos: vinde depressa, socorrei-nos!

São Miguel Arcanjo, vós, príncipe dos exércitos celestes, vencedor do dragão infernal, recebestes de Deus força e poder para aniquilar, pela humildade, a soberba dos poderes das trevas.

— Nós vos suplicamos que nos ajudeis a ter uma verdadeira humildade de coração, uma fidelidade inabalável no cumprimento contínuo da vontade de Deus e a fortaleza no sofrimento e na penúria. Socorrei-nos para subsistirmos perante o tribunal de Deus!

São Gabriel Arcanjo, vós, Anjo da Encarnação, mensageiro fiel de Deus, abri os nossos ouvidos também às suaves exortações e chamadas do Coração amoroso de Nosso Senhor.

— Nós vos suplicamos que fiqueis sempre diante do nosso olhar para compreendermos bem a palavra de Deus, a seguirmos e lhe obedecermos e, assim, realizarmos aquilo que Deus quer de nós. Ajudai-nos a estar sempre disponíveis e vigilantes, de modo a que o Senhor, quando vier, não nos encontre dormindo!

São Rafael Arcanjo, vós, flecha de amor e remédio do amor de Deus,

— nós vos suplicamos, feri o nosso coração com o amor ardente de Deus e nunca deixeis que esta ferida sare, para que, também no dia a dia, permaneçamos sempre no caminho do amor e tudo vençamos através do amor!

Socorrei-nos, vós, nossos irmãos grandes e santos, que conosco servis diante de Deus!

— Defendei-nos de nós próprios, da nossa covardia e tibieza, do nosso egoísmo e avareza, da nossa inveja e desconfiança, da nossa avidez de fartura, bem-estar e estima pública.

Desatai em nós as algemas do pecado e do apego às coisas terrenas. Tirai dos nossos olhos as vendas que nós mesmos nos pusemos para não precisarmos ver a miséria ao nosso redor e permanecermos, assim, sossegados numa contemplação e compaixão de nós mesmos.

— Cravai no nosso coração o aguilhão da santa inquietude por Deus, para que não cessemos de procurá-lo com ânsia, contrição e amor.

Contemplai o Sangue de Nosso Senhor, derramado por nossa causa!

— Contemplai as lágrimas da vossa Rainha, choradas por nossa causa!

Contemplai em nós a imagem de Deus, que Ele por amor imprimiu na nossa alma e agora está desfigurada por nossos pecados!

— Auxiliai-nos a conhecer Deus, adorá-lo, amá-lo e servi-lo!

Auxiliai-nos na luta contra os poderes das trevas que disfarçadamente nos envolvem e afligem.

— Auxiliai-nos para que nenhum de nós se perca e, um dia, nos reunamos todos, jubilosos, na eterna bem-aventurança. Amém.

Como complemento a essas súplicas, pode-se invocar durante o dia, muitas vezes, os Santos Anjos:

São Miguel, assisti-nos com os vossos Anjos, ajudai-nos e rogai por nós!

São Gabriel, assisti-nos com os vossos Anjos, ajudai-nos e rogai por nós!

São Rafael, assisti-nos com os vossos Anjos, ajudai-nos e rogai por nós!



segunda-feira, 15 de setembro de 2025

"Nossa Senhora das Lágrimas" História e como rezar a Coroa das Lágrimas




Você conhece a história Nossa Senhora das Lágrimas? Descubra como surgiu a devoção e saiba como rezar a Coroa das Lágrimas.

As revelações privadas desempenham um papel importante na tradição católica ao longo dos séculos. Embora não façam parte do depósito da fé, e os fiéis não sejam obrigados a crer nelas, essas experiências místicas recordam verdades, às vezes, esquecidas. São como faróis que, por meio de visões e mensagens, iluminam caminhos espirituais e até lembram devoções já existentes, mas também esquecidas.

Um exemplo disso é a história de Nossa Senhora das Lágrimas, uma revelação privada que emergiu no contexto das aparições à Irmã Amália de Jesus Flagelado, em Campinas, no Brasil. Confira neste artigo a história desta aparição, o que Nossa Senhora nos pede por meio dela, e conheça a Coroa das Lágrimas, uma oração que a própria Virgem ensinou à vidente.


Conheça a história de Nossa Senhora das Lágrimas

A história de Nossa Senhora das Lágrimas é uma narrativa de fé e devoção que teve origem com a aparição da Mãe de Deus a uma freira. No início do século XX, mais especificamente em 1932, na cidade de Campinas, Brasil, a irmã Amália de Jesus Flagelado recebeu a visita da Virgem Maria. Além disso, vale lembrar que toda aparição de Nossa Senhora serve para honrar ainda mais Seu Filho Jesus.



É o próprio Deus quem revela, portanto, o caminho através de Sua Mãe Santíssima. Desse modo, Jesus afirma que concederia todas as graças pedidas pelas Lágrimas de Nossa Senhora. Essa devoção cresceu à medida que os relatos da Irmã Amália se espalharam, atraindo a atenção de fiéis e levando-os a recorrer à Virgem das Lágrimas.

Irmã Amália, a vidente de Nossa Senhora das Lágrimas

Amália Aguirre, conhecida como Irmã Amália de Jesus Flagelado, nasceu em 22 de julho de 1901, em Riós, Galiza, na Espanha. Ela fazia parte de uma família com tradição cristã, notável pela santidade dos costumes, bem como pela caridade. Apesar de conhecidos e admirados na comunidade, seus pais tiveram que deixar a Espanha devido a circunstâncias econômicas, imigrando para o Brasil.

Eles se estabeleceram na Bahia, em primeiro lugar, e depois se mudaram para a cidade de Campinas, em São Paulo. Mas a jovem Amália não acompanhou imediatamente seus pais, permanecendo na Espanha para cuidar de sua avó idosa e doente. Somente após o falecimento da avó, em 16 de junho de 1919, ela atravessou o oceano Atlântico, chegando a Campinas.

Além disso, sua vida tomou um novo rumo quando, em 8 de dezembro de 1927, Amália e outras jovens freiras tornaram-se co-fundadoras da Congregação das Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. Alguns anos depois, em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, no ano de 1931, elas fizeram seus votos perpétuos, consolidando seu compromisso com a vida religiosa.

A intercessão das lágrimas de Nossa Senhora

Em novembro de 1929, Amália recebeu no convento a visita de um parente angustiado. Ele dizia que sua esposa estava gravemente doente, e para os médicos já não havia mais meios de salvar a sua vida. Diante da aflição desse familiar, Amália sentiu um impulso interior que a conduziu ao Sacrário, onde se entregou a Jesus Sacramentado, oferecendo sua própria vida em troca da salvação da mulher enferma, que ao morrer deixaria marido e filhos.

Em seguida, a resposta divina veio de maneira única e poderosa, através de uma instrução para invocar as lágrimas da Virgem Maria. Jesus a ensina algumas invocações, que são hoje rezadas na Coroa das Lágrimas, e acrescenta a promessa de que aquilo que os homens pedissem por meio das lágrimas de Sua Mãe, ele amorosamente concederia.

A aparição de Nossa Senhora das Lágrimas e a entrega da Coroa das Lágrimas

No dia 8 de março de 1930, Irmã Amália de Jesus Flagelado estava rezando de joelhos na capela do convento, quando se sentiu elevada para o Alto. Neste momento, Nossa Senhora aparece vestida com uma túnica violeta, um manto azul e um véu branco. Sorrindo, entrega a Irmã Amália um rosário, chamado “Coroa das Lágrimas”, cujas contas brilhavam intensamente.

Nossa Senhora revelou que esse era o Rosário de Suas lágrimas prometido por Seu Filho ao Instituto. Desse modo, Ele concederia favores pela invocação das lágrimas. A oração seria uma arma poderosa para a conversão de pecadores, especialmente os possuídos pelo demônio. Além disso, uma graça especial estava reservada para o Instituto de Jesus Crucificado, incluindo a conversão de membros dissidentes. Por fim, Nossa Senhora exortou a Irmã Amália a se armar para a grande batalha e, após essas palavras, desapareceu.

A revelação da Medalha de Nossa Senhora das Lágrimas e de Jesus Manietado

A revelação da medalha de Nossa Senhora das Lágrimas e de Jesus Manietado foi um momento marcante nas aparições à Irmã Amália de Jesus Flagelado. Durante a aparição de 8 de abril de 1930, a Santíssima Virgem instruiu a vidente a mandar cunhar uma medalha representando Nossa Senhora das Lágrimas e Jesus Manietado.

A expressão “Jesus Manietado” refere-se a Jesus durante Sua Dolorosa Paixão, quando Ele foi amarrado e atado durante os momentos cruciais de Sua entrega pela humanidade. A palavra “manietado” tem origem no verbo “manietar”, que deriva do latim manu aptare. Em seu sentido literal, “manietar” significa amarrar, prender ou atar alguém, especialmente com as mãos.

A Virgem Maria enfatizou a necessidade de ampla divulgação dessa medalha como uma poderosa ferramenta espiritual para vencer o poder de Satanás no mundo. Além disso, prometeu inúmeras graças para todos os fiéis que a portassem com amor e devoção.

Por ordem da Santíssima Mãe de Deus, a medalha traz na frente a imagem de Nossa Senhora das Lágrimas entregando a Coroa das Lágrimas. Da mesma forma como aconteceu na aparição anterior em 8 de março de 1930. Além disso, a Virgem também diz que a medalha deve ser rodeada pelas palavras “Ó Virgem Dolorosíssima, as Vossas Lágrimas derrubaram o império infernal!

No verso, também de acordo com as palavras da Virgem das Lágrimas, a medalha traz a imagem de Jesus Manietado. E as palavras que traz ao redor são “Por Vossa Mansidão Divina, ó Jesus Manietado, salvai o Mundo do erro que o ameaça!

A revelação dessa medalha é, portanto, uma expressão tangível da intercessão divina. Além disso, é uma ferramenta espiritual que fortalece a fé dos fiéis e recorda a proteção e a intercessão de Nossa Senhora.

Quando é o dia de Nossa Senhora das Lágrimas?

Nossa Senhora das Lágrimas é celebrada com festa litúrgica em 8 de março. A data remete ao dia da aparição de Nossa Senhora à vidente Amália e sua celebração é uma forma de recordar os fiéis a importância de pedir a intercessão das lágrimas da Virgem em nossas necessidades.

A devoção a Nossa Senhora das Lágrimas

A propagação dessa devoção foi marcada por uma abordagem discreta, uma vez que a Irmã Amália, vidente das aparições, preferia manter-se reservada dentro do convento. Desse modo, muitos desconheciam sua ligação com as revelações. O Bispo de Campinas na época, Dom Barreto, compreendendo a sensibilidade da Irmã, tomou a iniciativa, com sua permissão, de falar em seu nome, recolhendo os escritos e diálogos entre a vidente, Jesus e Nossa Senhora. Publicados em 1932, os textos foram distribuídos sem a identificação da freira, proporcionando um tom de revelação privada.

Dom Barreto também aprovou a devoção, concedendo 50 dias de indulgência para quem rezasse a Coroa das Lágrimas. Além disso, ele imprimiu milhares de folhetos, conhecidos como “santinhos”, e medalhas em diversos idiomas, distribuindo durante suas visitas a Roma. A devoção se disseminou amplamente, chegando a outros países, e bispos europeus e americanos passaram a adotá-la, divulgando a devoção por meio de impressões locais. Além disso, a simplicidade e a eficácia espiritual da Coroa das Lágrimas contribuíram para a aceitação e crescimento da devoção, tornando-a uma prática devocional católica reconhecida e apreciada.

A Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora

A Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora, também conhecida como Rosário das Lágrimas, é uma manifestação divina entregue pela Virgem Maria à Irmã Amália de Jesus Flagelado durante a aparição de 8 de abril de 1930. Essa Coroa tem sua origem associada a uma visão única e marcante ocorrida um mês antes, em 8 de março de 1930.

A Coroa consiste em 49 contas brancas, organizadas em grupos de sete. Essa estrutura é semelhante à tradicional Coroa das Dores, mas distingue-se pela cor branca. Além disso, a Coroa possui três contas finais e uma medalha especial.

Durante a aparição, Nossa Senhora declarou que essa Coroa de Lágrimas seria parte do legado para o Instituto de Jesus Crucificado. Ela oferece promessas especiais de graças e conversões para aqueles que a utilizassem nas orações. A Virgem Maria também enfatiza a eficácia dessa Coroa na conversão de pecadores, especialmente aqueles possuídos pelo demônio.

A Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora tornou-se, portanto, uma ferramenta espiritual poderosa nessa devoção. Esta oração guia os fiéis na meditação dos momentos de dor da Virgem Maria e busca a sua intercessão nos desafios da vida.

Reze a Coroa das Lágrimas de Nossa Senhora

Oração inicial
Eis-nos aqui aos Vossos pés, ó dulcíssimo Jesus Crucificado, para Vos oferecermos as lágrimas d’Aquela que, com tanto amor, Vos acompanhou no caminho doloroso do Calvário. Fazei, ó bom Mestre, que nós saibamos aproveitar da lição que elas nos dão, para que, na Terra, realizando a Vossa Santíssima Vontade, possamos um dia, no Céu, Vos louvar por toda a eternidade.

Nas contas brancas (que separam os grupos de 7)
Vede, ó Jesus, que são as lágrimas d’Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.

Nas contas brancas (grupos de 7)

Meu Jesus, ouvi os nossos rogos, pelas Lágrimas de Vossa Mãe Santíssima. (7x)

No fim, repete-se três vezes, nas três contas brancas finais
Vede, ó Jesus, que são as lágrimas d’Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.

Oração final
Virgem Santíssima e Mãe das Dores, nós Vos pedimos que junteis os Vossos rogos aos nossos, a fim de que Jesus, Vosso Divino Filho, a quem nos dirigimos em nome das Vossas lágrimas de Mãe, ouça as nossas preces e nos conceda, com as graças que desejamos, a coroa da vida eterna. Amém.

Jaculatórias finais (para rezar contemplando e beijando a medalha)

– Por Vossa mansidão divina, ó Jesus Manietado, salvai o mundo do erro que o ameaça!

– Ó Virgem Dolorosíssima, as Vossas Lágrimas derrubaram o império infernal!

Observação: Ainda que você não tenha a Coroa das Lágrimas em mãos, com o número exato de contas ou a medalha, isso não impede que você reze esta oração com fé e devoção, pedindo a intercessão da Virgem das Lágrimas.






segunda-feira, 8 de setembro de 2025

5 conselhos de São José para um pai



Quem melhor para nos ensinar sobre paternidade do que São José? Separamos cinco conselhos de São José para um pai, cinco lições que podemos observar da vida de São José para ajudar nossos pais a serem ainda melhores.

Conselhos de São José para um pai

1. Ser piedoso

São José entregou toda a sua vida para servir a Deus, e o fez principalmente dedicando-se à família. O pai é o sacerdote do lar, e sua vida de orações e piedade regula toda a vida espiritual da família, que o segue. Um pai que não ama a Deus sobre todas as coisas enfraquece espiritualmente toda a família.

2. Ser útil


A verdadeira autoridade não surge do excesso de palavras, mas da retidão dos atos. São José dá-nos um exemplo perfeito do que significa o esteio que sustenta e dá segurança a toda uma família, sempre em prontidão para servir a sua esposa e seu Filho.

3. Ser corajoso

Um pai precisa ter a coragem de agir em conformidade com a vontade de Deus. São José foi corajoso e cumpriu a vontade de Deus, sem nunca se omitir. Mesmo sob as pressões da pobreza e do perigo de morte não buscou a segurança mundana. Entregou tudo a Deus e confiou na Sua Providência.

4. Ser trabalhador

O sustento espiritual e material de uma família é uma grave responsabilidade do pai. São José foi um humilde e incansável trabalhador. Suas imensas virtudes contemplativas foram adornadas por sua constância no trabalho, que pôs comida na mesa da Sagrada Família e lhes garantiu um teto.

5. Ser casto

Um pai deve transmitir aos seus filhos a pureza dos costumes e a retidão dos atos. Esta influência perpetuará no seio da família o amor a Deus e será fermento das mais belas virtudes. O silêncio, a modéstia e os bons sentimentos deixam uma herança eterna e são um escudo da família contra os ataques do demônio.




quarta-feira, 3 de setembro de 2025

“Os inimigos da devoção a São José”

 


    Por que a devoção a ele [São José] teria inimigos? Qual a importância de São José para a humanidade e para toda a Igreja?

    Em meio aos escritos sobre São José para esta série do site paidasmisericordias.com, busquei a inspiração e comecei a refletir sobre suas virtudes, seu amor pela Virgem Maria e pelo menino Jesus e como poderia eu falar algo novo sobre São José, pedi a ele que me inspirasse, pois quero ser seu filho espiritual e imitar suas virtudes para ser melhor para Deus e para os que estão a minha volta e me veio ao coração que eu deveria falar sobre os inimigos da devoção a São José, bom me debrucei sobre esta realidade olhando para suas virtudes e tudo aquilo que se colocava contrário a uma vida de virtudes como foi São José e fui buscando respostas para saber quais são estes inimigos?, ocultos, velados ou declarados? Por que a devoção a ele [São José] teria inimigos? Qual a importância de São José para a humanidade e para toda a Igreja?

    Já sabemos que sua vida foi totalmente voltada para Deus e com Deus e ele [São José] teve o grande privilégio de educar e formar o menino Jesus, de lhe conferir todas as honras que um filho deve ter por seu pai, o seu culto só poderia ter grandes inimigos, pois é um homem justo (Mt 1, 19), o último dos patriarcas de descedência real (Mt 1, 20; Lc 1, 27) de quem descende o Filho de Deus conforme a promessa do Pai, sem a sua participação o plano da redenção da humanidade não teria acontecido, foi declarado Patrono Universal da Igreja por Pio IX sendo chamado mais uma vez para defender o Corpo Místico de Cristo “a Igreja”, em sua ladainha São José nos socorre em tantas necessidades, entre elas está o clamor “Terror dos Demônios”, por sua obediência e humildade enquanto São José dorme Deus fala com ele, quando ele acorda executa as ordens do Senhor Deus frustrando e colocando em fuga o demônio do medo, da desobediência, da morte e de tantas outras situações.

    Quais são os inimigos da da Devoção a São José? É preciso enumerar tudo aquilo que nos impede de ter uma vida interior, de oração e contato com Deus constante, buscando imitar suas virtudes. Aqui quero ressaltar que São José é exemplo aos trabalhadores, na vida religiosa, na família, no sacerdócio e etc…. Ser devot de São José é ser íntimo de Deus, é olhar para ele [São José] e querer ser obediente, orante, fiel e sobretudo crescer nas virtudes.

-Tudo que atenta a uma vida de pureza (pornografia, nudez, fornicação, adultério, incesto, malícia no olhar e nas palavras);

-Tudo que impede ou tentar esvaziar a voz de Deus em tua vida, seja por meio da oração ou da Sagrada Escritura (Filmes, séries, músicas e tudo o que for em excesso e não nos permitir de ouvir a Deus);

-Os inimigos da Igreja Católica Apostólica Romana que é o Corpo Místico de Cristo (ideologias que corroem a fé como as heresias {tentar dividar a Igreja como de esquerda ou direita}, movimentos comunistas disfarçados de pastorais na Igreja, movimentos neoliberais {é preciso ter ordem, respeito, o reino dos céus é ordenado})

-Tudo que não favorece a vivência da virtude da castidade (falta de pudor, mentira, domínio de si e equilíbrio afetivo sexual)

-Tudo o que é contra a paternidade, que tenta denegrir e destruir a autoridade paterna, a masculinidade (cultura de pais iguais aos filhos, o homem deixa de ser o pioneiro na vida e na sociedade, a vida sacrifical, rivalidades/igualdade entre homem e mulher)

-Tudo o que é contra a masculidade e a feminilidade - sacrifício e doação (destruição do homem e da mulher como um todo, como a igualdade de genero)

-Tudo que evoca devassidão, mundanismo (vida sem rumo, desequilibrio no comer, beber, afetos, mentira, moda profana ou desconexa ao homem e a mulher)

-Tudo o que atrapalha ter uma vida interior forte (fuga da oração, da leitura espiritual, trocar Deus pelo ser humano, Deus está no meio de nós ou seja está igual a nós, revoltas interiores)

-O desprezo as virtudes e o apego a uma vida de pecado, as virtudes são um caminho, uma via de santidade

*Humildade x soberba
*Desprendimento x avareza
*Castidade x impureza
*Temperança x gula
*Perdão x ira
*Benevolência x inveja
*Diligência x preguiça

    A devoção a São José está entre as mais belas e as mais fortes da Igreja, pois se trata do maior dos patriarcas e do pai nutrício do Filho de Deus, além do mais esta devoção não está alicerçada apenas nas orações, novenas e ladainha, mas ela tem um carater de nos moldar no modelo que foi São José e sermos sua imitação neste mundo, por isso que esta devoção tem graças especiais, mas ao mesmo tempo um combate constante, por isso não devemos desanimar, mas buscar na vida de São José a força para continuarmos a imitar suas virtudes. Consagre-se todos os dias a São José e deixe que seu patrocínio envolva a sua vida, reze todos os dias este ato de devoção a São José.


Ato de Devoção a São José

Ó bem-aventurado José! Pai adotivo de Jesus, digno esposo de Maria, Rainha das Virgens, consagro-me à vossa veneração e me entrego inteiramente a vós. Sede meu pai, meu protetor e meu guia nos caminhos da salvação; obtende para mim uma grande pureza de corpo e de alma, e a graça de fazer, a vosso exemplo, todas as minhas ações para a maior glória de Deus, em união com vosso puríssimo coração e os sagrados corações de Jesus e de Maria; assisti-me todos os dias, e sobretudo na hora de minha morte.
Amém.




A Profecia da devoção a São José

 

Não é de se estranhar que a Devoção a São José seja profética, pois quando o anjo o visitou (Mt 2,20) em sonho, já o libertou de todo o medo e receio em que José se encontrava diante dos fatos que se apresentavam a ele.

Após a vinda de Maria da casa de sua prima Isabel que se encontrou grávida por obra do Espírito Santo, muitos santos afirmam que São José ficou perplexo ao ver os sinais da gravidez em Maria. Não desconfiou dela, mas se achou indigno de recebê-la em sua casa, tamanha era a graça na vida de José. 

Outro fato que podemos observar está relacionado ao nome de José que é derivado do hebraico Yosef e foi mencionado pela primeira vez no Antigo Testamento. De acordo com a Abarim Publications, “o verbo יסף (yasap) significa adicionar, aumentar ou fazer novamente”. O nome “José” é, frequentemente, traduzido como “aquele que aumenta, acrescenta ou dobra”.

Deus não se deixa perder em generosidade

Alguns comentários bíblicos afirmam que o nome significa “Ele (o Senhor) acrescentará”. São Josemaria Escrivá reflete sobre este significado: “O nome José, em hebraico, significa ‘Deus acrescentará’. Deus acrescenta dimensões insuspeitas às vidas sagradas daqueles quem fazem Sua vontade. Ele acrescenta a única dimensão importante que dá sentido a tudo, à dimensão divina. À vida humilde e santa de José acrescentou – se assim posso dizer – as vidas da Virgem Maria e de Jesus, nosso Senhor.

José poderia fazer de suas próprias palavras as de Maria, sua esposa: ‘Ele olhou graciosamente para a humildade de sua serva … porque aquele que é poderoso, aquele cujo nome é santo, operou para mim suas maravilhas’”. Muitos outros santos afirmaram que a devoção a São José acrescentou muito às suas vidas, enriquecendo-as através da graça abundante de Deus.

O significado histórico e espiritual do nome “José” nos leva a perceber a grandeza do nosso santo, quanto Deus fez em sua vida em virtude de sua paternidade ao Filho de Deus. O nome de José é um com uma rica história espiritual fazendo com que sua devoção seja tão especial e frutuosa a todos aqueles que tem e cultivam uma espiritualidade unida à devoção a este grande santo.

São Pedro Julião Eymard nos diz algo surpreendente sobre a devoção a São José:

“A devoção a São José é uma das graças mais excelentes que Deus pode conceder a uma alma, pois equivale a revelar todo o tesouro das bênçãos do Senhor. Quando Deus deseja elevar uma alma, ele a une a São José, dando-lhe um forte amor por este bom santo.”

No último artigo que escrevi, falei dos “Inimigos da devoção a São José” por ser esta devoção de tamanha importância ao cristianismo, pois a este varão justo Deus lhe confiou seu maior tesouro, seu Filho Jesus, e o novo modelo de família que deseja instaurar na terra, revelando assim seu amor pela humanidade por meio da bênção da paternidade que concedeu a José, estendendo-a a todos os homens.

Hoje, vamos conhecer os motivos desta devoção “ser profética” para os tempos em que estamos vivendo. Vivemos em uma sociedade que atualmente tem abandonado os bons costumes e hábitos que fez com que os povos e a sociedade evoluíssem e chegassem a um crescimento tão grande, esquecendo-se do Deus que os criou e os dotou de dons e talentos extraordinários para melhor o servir e ao seu próximo; esta mesma sociedade composta de homens e mulheres nos dias atuais está tão perdida e aturdida com as coisas que veem, que, muitas vezes, se sentem incapazes de responder de forma diferente as propostas que lhes são apresentadas, adentrando assim em completo descambo da vida humana.

É nesse contexto que a devoção a São José é essencial para o resgate da humanidade. Se as pessoas se voltarem a este santo com filial devoção e imitarem as suas virtudes, teremos uma grande mudança na sociedade. Imaginemos se os pais, homens e mulheres, se espelharem na vida de São José, como as famílias do futuro serão:

-quantos divórcios deixarão de existir, os homens e as mulheres deixarão de trair um ao outro e buscarão viver na fidelidade, as famílias serão numerosas e se tornarão de fato uma escola de amor e a base da sociedade, os homens trarão estabilidade e segurança a sua família e por outro lado a mulher será um ninho de amor em seu lar;

-quantos filhos terão mais amor e presença de seus pais em sua vida deixando-os assim mais seguros para enfrentar os desafios da vida;

-a fornicação entre os adolescentes e jovens cessarão e com isso menos doenças sexualmente transmissíveis, menos abortos, pois a castidade é virtude que ordena a vida;

-a gravidez precoce de adolescentes será extinta em nossa sociedade eliminando assim os casos de abusos e maus tratos de menores;

-os jovens terão um referencial de masculinidade, de honradez e do homem sacrifical, darão valor ao sacrifício e não cederão as investidas da ideologia de gênero;

-a crise da masculidade será sanada, os homens assumirão seu papel de protagonista na sociedade e deixarão de viver como adolescente e de se rivalizar com as mulheres em uma disputa sem sentido;

-as vocações religiosas na Igreja terão um novo reflosrecimento e a vocação religiosa brilhará no mundo sendo um sinal da presença de Deus, mosteiros e conventos deixarão de se fechados por falta de vocações, pois a vontade de Deus será buscada antes de tudo na vida;

-os sacerdotes e bispos terão em São José o modelo de pastor e pai e não de pop star ou mega empresário da Igreja ou de carreirista, mas coração de pastor, pai, chefe de um povo que caminha para o Senhor, pois São José foi o maior formador do único e eterno Sacerdote, Nosso Senhor Jesus Cristo;

-Por fim veremos o mal retroceder, pois o temor de Deus reinará nos corações e muitos pensarão antes de cometer qualquer ato que ofenda a Deus, fazendo-os adorar ao único e verdadeiro Deus.

Meus amigos a devoção é como um tesouro em que tiramos coisas antigas e novas, não tenhamos medo de nos aproximar de São José e delhe confiarmos a condução de nossa alma. 

Rezemos o Lembrai-vos São José

Lembrai-vos, ó Castíssimo Esposo da Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado vossa assistência e reclamado vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós recorro, ó pai espiritual, e imploro a vossa proteção. Não rejeiteis as minhas súplicas, ó pai adotivo do Redentor, mas dignai-vos de as ouvir precisamente e de alcançar o que vos rogo.
Amém.


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

"São Carlo Acutis", Pensamentos, Novena e Orações

 


Para bem rezar a Novena a Carlo Acutis, é conveniente conhecer um pouco mais de sua vida.

    Carlo Acutis nasceu em 3 de maio de 1991, em Londres, mas cresceu em Milão, Itália. Desde cedo, demonstrou uma fé profunda, influenciado por sua babá polonesa, Beata, que o introduziu às práticas católicas. Aos 7 anos, recebeu a Primeira Comunhão e, a partir de então, frequentava a missa diariamente, participava da Adoração Eucarística e rezava o Rosário. Apesar de pertencer a uma família abastada, Carlo destacava-se pelo desapego material e pelo serviço aos pobres, distribuindo alimentos e auxiliando os necessitados em Milão.

Apaixonado pela Eucaristia, referia-se a ela como “a minha estrada para o céu” e mantinha uma vida de oração constante. Além disso, tinha uma forte devoção a Nossa Senhora, sendo consagrado a ela e incentivando a recitação do Rosário entre amigos e familiares. Seu testemunho de fé influenciou a conversão de pessoas próximas, evidenciando sua maturidade espiritual desde tenra idade.

Com habilidade em tecnologia, Carlo viu na internet uma ferramenta eficaz para a evangelização. Aos 11 anos, iniciou a criação de um site que catalogava milagres eucarísticos ao redor do mundo, trabalho que exigiu extensa pesquisa e dedicação. Seu objetivo era compartilhar com outros a importância da Eucaristia e fortalecer a fé por meio desses relatos. Carlo faleceu em 12 de outubro de 2006, vítima de leucemia, mas seu legado continua inspirando muitos a buscar uma vida de santidade no cotidiano

Pensamentos de Carlos Acutis

"Estar sempre perto de Jesus, esse é o meu projeto de vida”.

"A Santificação não é um processo de adição, mas de subtração. Menos que eu deixe espaço para Deus."

"Estar sempre perto de Jesus, esse é o meu Projeto de Vida."

"A Tristeza é o olhar voltado para si; a Felicidade é o olhar voltado para Jesus." 

"Todos os dias vivo a Eucaristia como um diálogo constante com Jesus, como uma autêntica esperança. A Eucaristia é a minha autoestrada para o Céu." 

"Peça ao seu Anjo da Guarda para ajudá-lo continuamente, de modo que ele se torne Seu melhor amigo."

"Estou feliz em morrer, por que vivi minha vida sem perder nem mesmo um minuto dela com coisas que Deus não gosta." 

"A única coisa que nós temos que pedir a Deus na Oração é a vontade de ser santos." 

"A Eucaristia é a minha estrada para o Céu".

"Porque os homens se preocupam tanto com a beleza do próprio corpo e não se preocupam com a beleza da própria alma?"

“Nosso objetivo deve ser o infinito, não o finito. O infinito é nossa pátria. Sempre fomos esperados no Céu. Na vida eterna algo extraordinário nos espera."


Como rezar a Novena a Carlo Acutis?

A novena a Carlo Acutis consiste em 4 momentos:
Oração inicial: é a mesma, deve ser repetida todos os dias, incluindo nela o pedido da graça que se deseja alcançar com a novena.
Meditação do dia: em cada um dos dias da novena, medita-se um pequeno ponto de sua vida, um aspecto de sua espiritualidade.
5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias: também deve-se rezá-los todos os dias, ao término da meditação do dia. São 15 orações feitas em honra aos 15 anos de vida de Carlo Acutis nesta Terra.

Oração final: reforça-se o pedido da graça pelos méritos de Carlo Acutis.



Novena a Carlo Acutis

Primeiro dia

Oração inicial:
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do primeiro dia: “Não eu, mas Deus”
São Carlo Acutis, que fizeste de tua vida uma contínua renúncia e aniquilamento, dá-me a graça de buscar as coisas do Céu e desprezar as que passam. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Segundo dia


Oração inicial: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do segundo dia: “Estar sempre junto com Jesus: este é o meu plano de vida”
São Carlo Acutis, que viveste imerso no Coração de Jesus, dá-me a graça de realizar, em tudo, este teu plano de amor. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Terceiro dia


Oração inicial:
 Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do terceiro dia: “Estar sempre junto com Jesus: este é o meu plano de vida”
São Carlo Acutis, que viveste imerso no Coração de Jesus, dá-me a graça de realizar, em tudo, este teu plano de amor. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Quarto dia


Oração inicial: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do quarto dia: “Peça ao seu Anjo da Guarda para ajudá-lo continuamente, de modo que ele se torne seu melhor amigo”
São Carlo Acutis, que buscaste, já neste mundo, a companhia dos santos anjos, dá-me a graça de viver na retidão que o meu santo anjo deseja. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Quinto dia


Oração inicial:
 Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do quinto dia: “Nossa alma é como um balão… Se por acaso existe um pecado mortal, a alma cai sobre a Terra e a confissão será como fogo… É preciso confessar-se frequentemente”
São Carlo Acutis, que tão bem viveste o sacramento da reconciliação, dá-me a graça de buscá-lo sempre com uma contrição profunda. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Sexto dia



Oração inicial: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do sexto dia: “A única coisa que nós temos que pedir a Deus na oração é a vontade de ser santos”
São Carlo Acutis, que soubeste sempre pedir a Deus o essencial, dá-me a graça de um profundo desejo do Céu. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Sétimo dia


Oração inicial:
Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do sétimo dia: “A Virgem Maria é a única mulher da minha vida”
São Carlo Acutis, que amaste a Virgem Maria mais que tudo, dá-me a graça de corresponder ao amor desta tão terna e boa mãe. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Oitavo dia


Oração inicial:
 Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do oitavo dia: “A Eucaristia é a minha estrada para o Céu”
São Carlo Acutis, que buscavas sempre teu Jesus escondido no sacrário, dá-me a graça de um profundo ardor eucarístico. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.

Nono dia


Oração inicial: Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos agradeço por todos os favores e todas as graças com que enriquecestes a alma de São Carlo Acutis durante os 15 anos que passou nesta Terra e, pelos méritos deste tão querido Anjo da Juventude, vos suplico que me concedais a graça que ardentemente vos peço: (faz-se o pedido da graça que se deseja).

Meditação do nono dia: “Eu estou feliz de morrer, porque vivi a minha vida sem perder nenhum minuto em coisas que não agradam a Deus”
São Carlo Acutis, dá-me a graça das graças, que é a perseverança final e uma morte santa. Amém.

5 Pai-Nossos, 5 Ave-Marias e 5 Glórias ao Pai, em honra dos 15 anos de vida do servo de Deus nesta Terra.

Oração final: Deus Pai de Misericórdia, que elevastes à glória dos altares este vosso servo Carlo Acutis, a fim de que, por ele, vós fôsseis mais glorificado, concedei-nos, pelos méritos dele — que em tudo viveu a vossa vontade —, a graça que ardentemente desejo. Amém.







Crédito ao autor: Imprimatur + Dom Janusz Marian Danecki, OFMConv. Bispo auxiliar da Arquidiocese Campo Grande (Brasil) – Protocolo 52. Campo Grande, 30 de setembro de 2016

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Exame de Consciência diário



São Josemaria recomendava fazer um breve exame de consciência no final de cada dia, para crescer sempre no amor a Deus e evitar tudo o que possa constituir um obstáculo a esse amor.

No âmbito da conversão interior a Deus, o exame de consciência costuma ser considerado sob dois aspectos, muito relacionados entre si: como parte da preparação – identificação diligente dos pecados cometidos – para receber com fruto o sacramento da Penitência (cfr. CCE, n. 1454), e como prática ascética necessária para o progresso na vida espiritual. Vamos cingir-nos ao segundo aspecto, cuja finalidade está bem focada nestas palavras de São Josemaria, que põem em conexão a chamada e o seguimento de Cristo com a necessidade de examinar o coração no amor de Deus: “Quando o Senhor os chamou, os primeiros Apóstolos estavam junto à barca velha e junto às redes furadas, remendando-as. O Senhor disse-lhes que O seguissem; e eles, "statim" - imediatamente -, "relictis omnibus" - abandonando todas as coisas, tudo! -, O seguiram... E acontece algumas vezes que nós - que desejamos imitá-los - não acabamos de abandonar tudo, e fica-nos um apego no coração, um erro em nossa vida, que não queremos cortar para oferecê-lo ao Senhor. - Examinarás o teu coração bem a fundo? - Não há de ficar nada aí que não seja dEle; caso contrário, não O amamos bem, nem tu nem eu” (Forja, 356).

Nesta última frase está refletido o ponto para o qual se dirigem todas as considerações que São Josemaria faz sobre o exame de consciência: a necessidade que o cristão tem de crescer sempre no amor a Deus e evitar tudo o que possa constituir um obstáculo a esse amor.

1. O exame de consciência no contexto do diálogo entre o homem e Deus

O cristão, mediante o exame de consciência, situa-se diante de si mesmo na presença de Deus, para descobrir o que há nele e em suas obras que não corresponda à sua vocação de filho de Deus em Cristo, chamado à santidade. O conhecimento que alcança dispõe-no à contrição – à dor por suas faltas e ao propósito de corrigir-se – a pedir perdão a Deus, a valorizar os bens que dele recebeu, a agradecer e a procurar os meios adequados para melhorar nas circunstâncias em que se encontra: “Observa a tua conduta com vagar. Verás que estás cheio de erros, que te prejudicam a ti e talvez também aos que te rodeiam. (...) Precisas de um bom exame de consciência diário, que te leve a propósitos concretos de melhora, por sentires verdadeira dor das tuas faltas, das tuas omissões e pecados” (Forja, 481).

O exame é uma necessidade para o cristão que quer corresponder à chamada divina: “Se lutas de verdade, precisas fazer exame de consciência. – Cuida do exame diário: Vê se sentes dor de Amor, porque não tratas Nosso Senhor como deverias” (Sulco, 142). São Josemaria destaca a finalidade fundamental do exame: a dor pela falta de correspondência ao Amor de Deus, e adverte que o verdadeiro exame de consciência deve terminar na contrição. Por isso aconselha: “Acaba sempre o teu exame com um ato de Amor – dor de Amor – por ti, por todos os pecados dos homens... e considera o cuidado paternal de Deus, que afastou de ti os obstáculos para que não tropeçasses” (Caminho 246). O exame não acaba em si mesmo, mas na dor de amor e, precisamente por que é de amor, no pesar pelos pecados próprios e alheios. É inspirado pelo amor a Deus e leva, perante o Amor de Deus, à dor pelas faltas e ao agradecimento. E daí, à retificação da conduta: “’Quanto não devo a Deus, como cristão! A minha falta de correspondência, perante essa dívida, tem-me feito chorar de dor: de dor de Amor. ‘Mea culpa!’” – Bom é que vás reconhecendo as tuas dívidas. Mas não te esqueças de como se pagam: com lágrimas... e com obras” (Caminho 242).

Esse diálogo, fruto da amorosa relação pessoal entre o cristão e Deus, é o lugar próprio do exame de consciência (CECH*, p. 431). Para São Josemaria, o exame não é simples introspecção, uma espécie de monólogo interior que versa sobre si mesmo e suas obras, para verificar, até o exagero, inclusive, se se vai bem ou mal, pois “o cristão não é um maníaco colecionador de uma folha de serviços imaculada” (É Cristo que Passa, 75). O exame é uma forma de oração, na qual o homem considera sua própria vida na presença de Deus, em diálogo com o Senhor e com a ajuda de sua graça: “Jesus, se há em mim alguma coisa que te desagrade, dize-o, para que a arranquemos” (Forja, 108). Neste contexto de trato amoroso com Deus fica fora o perigo da rigidez ou de uma estima excessiva do esforço humano no progresso espiritual: a alma confia-se a Deus em seu caminhar pois dele recebe a luz para saber onde lutar e a força para fazê-lo.

O exame de consciência é tarefa que requer empenho sério, pois o bem que está em jogo é o mais alto. Para ilustrar esta realidade, São Josemaria recorre à comparação com a gestão dos negócios humanos: “Exame. – Tarefa diária. – Contabilidade que nunca descura quem tem um negócio. E há negócio que renda mais que o negócio da vida eterna?” (Caminho 235). A comparação, já usada há tempos na Igreja (cfr, CECH, pp. 423-424), é simples e ilustrativa: a gestão de um negócio requer a contabilidade das despesas e receitas, detectar o que e como se pode melhorar, remediar as falhas, etc. Alcançar a vida eterna é a finalidade do grande negócio do cristão, que se concretiza na luta diária por corresponder à graça divina. Passo prévio e ponto de partida para essa luta é o exame de consciência. Descuidá-lo constitui sério perigo: “Há um inimigo da vida interior, pequeno, bobo; mas muito eficaz, infelizmente: o pouco empenho no exame de consciência” (Forja, 109). Nada importa tanto para o cristão como aproximar-se cada vez mais de Deus, pelo que procurará sempre “fazer com consciência o exame de consciência” (Del Portillo, Carta 8/12/1976, n. 8: Fernández Carvajal, 2004, III, p. 391).

O exame é tarefa diária “Não me deixes todos os dias de noite, o exame: é questão de três minutos” (CECH, p 422), recomendava São Josemaria a um de seus filhos, sugerindo o momento e o tempo para fazê-lo: no fim do dia e brevemente. Para um exame mais detalhado, “mais profundo e mais extenso” (Caminho 245), há os dias de recolhimento mensal e de retiro anual: “Dias de retiro. Recolhimento para conhecer a Deus, para te conheceres e assim progredir. Um tempo necessário para descobrir em que coisas e de que modo é preciso reforma-se: que tenho que fazer? O que devo evitar?” (Sulco 177). Na quietude e recolhimento dos dias de retiro, a sós com Deus, nessa “bendita solidão que tanta falta te faz para teres em andamento a vida interior” (Caminho 304), o cristão, longe das fadigas de cada dia, tem a oportunidade de considerar com mais vagar e amplitude sua vida espiritual, e procurar a conversão: “Há alguma coisa na tua vida que não corresponda à tua condição de cristão e que te leve a não quereres purificar-te? Examina-te e muda. (Forja, 480).


São Josemaria insiste também na importância de estar vigilante a todo momento: “Acostumai-vos a ver Deus por trás de todas as coisas, a saber que Ele nos espera sempre, que nos contempla e pede precisamente que o sigamos com lealdade, sem abandonar o lugar que nos cabe neste mundo. Devemos caminhar com vigilância afetuosa, com uma preocupação sincera de lutar, para não perdermos a sua divina companhia” (Amigos de Deus, 218). Com essa atitude de ‘vigilância’, ele não se refere a um hábito de autocontrole permanente e sim a uma atitude do espírito, a uma disposição de ânimo própria da alma enamorada, pois “quando se ama deveras..., sempre se encontram detalhes para amar ainda mais” (Forja, 420). Trata-se de uma vigilância serena que procede do amor a Deus, que procura amá-lo mais e melhor a todo momento, e que se concretiza na amorosa resolução de “começar e recomeçar [a luta] em cada momento, se for preciso” (Amigos de Deus, 219; cfr. Amigos de Deus, 214). O caminho para formar na alma esse espírito de exame é fazer bem todos os dias o exame de consciência e crescer no amor de Deus.

São Josemaria aceita – como depois comentaremos com mais detalhes – a distinção clássica entre exame geral, que implica um olhar dirigido ao conjunto do dia, e exame particular, que dirige a atenção para um ponto concreto em que se deseja melhorar. Faz ocasionalmente diversas sugestões, e entre os vários métodos que foram propostos para fazer o exame de consciência, ele não outorga primazia a nenhum deles em concreto, nem direta nem indiretamente e tampouco indica um próprio. “Não se podem dar regras fixas. O exame que vai bem para uma pessoa não vai bem para outra; e mesmo para uma pessoa vai bem apenas durante uma temporada. Isso depende das circunstâncias de cada um. Cada um deve combinar com o seu diretor espiritual” (Del Portillo, Carta 8/12/1976, n. 14, em Cartas de família, II; AGP, Biblioteca, P17).

Seja qual for o modo de fazer o exame de consciência, São Josemaria previne sobre um perigo sempre presente neste exercício espiritual: “À hora do exame, vai prevenido contra o demônio mudo” (Caminho 236). Trata-se do demônio – “do qual nos fala o Evangelho” (Forja, 127; cfr. Mt 9, 32-33, Mc 9, 24) – que impede o cristão de ser sincero tanto consigo mesmo no exame de consciência como na direção espiritual e no sacramento da Penitência (cfr. Amigos de Deus, 188-189; CECH, pp 416-417). Se faltar a sinceridade, não se reconhecem as faltas e pecados e a alma se fecha para a dor, para a petição de perdão e para a graça divina. Daí a recomendação taxativa: “Tem sinceridade ‘selvagem’ no exame de consciência; quer dizer, coragem: a mesma com que olhas ao espelho, para saber onde te feriste ou te manchaste, ou onde estão os teus defeitos, que tens de eliminar” (Sulco 148).

Trata-se da valentia que procede de uma esperança firme no amor de Deus: “As nossas misérias não nos deverão levar nunca a esquivar-nos do Amor de Deus, mas a acolher-nos a esse Amor (...). Não devemos afastar-nos de Deus por termos descoberto as nossas fragilidades; temos de atacar as misérias, precisamente porque Deus confia em nós”. (AD, 187)

2. Conhecimento de Deus e conhecimento próprio

O exame de consciência foi tradicionalmente considerado como meio de conhecimento próprio, e este, por sua vez, como caminho necessário para a união com Deus (Delchard, 1961, cols. 1831 – 1838). São Josemaria também o indica, quando afirma que “o conhecimento próprio leva-nos como que pela mão à humildade” (Caminho 609). E, com ela, à confiança e ao amor de Deus em reconhecimento de sua Bondade infinita: “Não esqueças que és...a lata do lixo. – Por isso, se porventura o Jardineiro divino lança mão de ti, e te esfrega e te limpa...e te enche de magníficas flores... nem o aroma e nem a cor que embelezam a tua fealdade devem envaidecer-te” (Caminho 592).

É, no entanto, notável que São Josemaria anteponha o conhecimento de Deus ao conhecimento de si próprio: “Invoca o Espírito Santo no exame de consciência, para conheceres mais a Deus, para te conheceres a ti mesmo, e assim poderes converter-te em cada dia” (Forja, 326; cfr. É Cristo que Passa 58, 164; Sulco 177; Forja, 184).

Não se trata de uma novidade, mas de um modo de propor a finalidade do exame de consciência que leva a destacar a primazia do Amor de Deus por nós (cfr. 1 Jo 4, 19). Para viver vida sobrenatural, é necessário conhecer a própria realidade do ser cristão: tanto a própria humanidade, com a sua limitação e a sua miséria, como – e de modo mais fundamental – a participação na vida divina que recebemos com a graça: “Saber que saímos das mãos de Deus, que somos objeto da predileção da Trindade Beatíssima, que somos filhos de tão grande Pai. Eu peço ao meu Senhor que nos decidamos a tomar consciência disso, a saboreá-lo dia a dia” (Amigos de Deus, 26).

O cristão deve olhar para si mesmo no exame de consciência à luz destas verdades; se não, alcançará uma visão parcial e com frequência pouco positiva de si mesmo e da sua atuação, em contraste com a realidade querida por Deus: “Lança para longe de ti essa desesperança que te produz o conhecimento de tua miséria. – É verdade: por teu prestígio econômico, és um zero..., por teu prestígio social outro zero..., e outro por tuas virtudes, e outro por teu talento... Mas, à esquerda dessas negações está Cristo... E que cifra incomensurável não resulta!” (Caminho 473). Daí o conselho de São Josemaria “Medite cada um o que Deus fez por ele e no modo como correspondeu” (Amigos de Deus, 312). Tendo presentes as graças recebidas por Deus – a vida, a filiação divina, a redenção – nesse colóquio de amor com Deus que deve ser o exame, a alma fica sem nada escondido, com dor de amor pelas culpas, agradecida pelos dons recebidos, esperançada pela ajuda divina, e se enche de desejos de corresponder melhor, daí para a frente (cfr. Amigos de Deus, 215).

3. Exame geral e exame particular

São Josemaria conhece e torna própria – como já dissemos – a distinção entre exame geral e exame particular, distinção clássica e bem conhecida na ascética católica (cfr. Liuima – Derville, 1961, cols. 1838-1849). Com uma comparação que remete à consideração da vida cristã como luta – “guerra de paz”, “contenda de amor”, “combate espiritual”, “torneio de amor” (cfr. É Cristo que Passa 73-77) – apresenta expressivamente a natureza e a finalidade de ambos os modos do exame de consciência: “O exame geral assemelha-se à defesa. – O particular ao ataque. – O primeiro é a armadura. O segundo, espada toledana” (Caminho, 238).

O exame geral, comparado à armadura que protege e defende quem a usa, tem como objeto o combate diário em seu conjunto. Seu exercício oferece ao cristão a possibilidade de lutar com continuidade, sem baixar a guarda nem abandonar a batalha, de “começar e recomeçar” (Forja, 384; cfr. Caminho 292), de modo que a vida espiritual seja ativa e forte e, por isso, fique protegida das ciladas do inimigo: “Esse modo sobrenatural de proceder é uma verdadeira tática militar. – Sustentas a guerra – as lutas diárias da tua vida interior – em posições que colocas longe dos redutos da tua fortaleza. E o inimigo acode aí: à tua pequena mortificação, à tua oração habitual, ao teu trabalho metódico, ao teu plano de vida; e é difícil que chegue a aproximar-se dos torreões, fracos para o assalto, do teu castelo. E, se chega, chega sem eficácia” (Caminho, 307).

O exame particular se centraliza em um ponto concreto em que se quer melhorar: “Com o exame particular tens de procurar diretamente adquirir uma virtude determinada ou arrancar o defeito que te domina” (Caminho 241). É a “arma de combate” (Caminho 240), que mantém vivo o espírito de luta ao longo da jornada, concentrando as forças em uma frente concreta. Não se trata, porém, de qualquer frente de batalha, mas sim que o objeto do exame particular seja bem definido para a situação da alma hoje e agora. O cristão deve pedir ajuda a Deus e na direção espiritual para determinar o que é mais conveniente para a sua alma: “Pede luz. Insiste. – Até dares com a raiz, para lhe aplicares essa arma de combate que é o exame particular” (Caminho 240). E depois, uma vez fixado o ponto, determinar também os meios para conseguir esse objetivo: assim poderá “ir diretamente” adquirir a virtude ou arrancar o defeito.

São Josemaria acentua o aspecto positivo da luta ascética, apresentando como objetivo ou finalidade, em primeiro lugar, “adquirir uma virtude determinada” (Caminho 241). Mesmo quando às vezes se aspire a “arrancar um defeito”, será, normalmente, mais atraente e eficaz dirigir a atenção não a esse defeito e sim à virtude contrária a ele e esforçar-se por adquiri-la. “O movimento da alma para o bem – escrevia São Tomás de Aquino – é mais forte que o destinado a afastar-se do mal” (S.Th., 1-2, q. 29, a. 3) e São Josemaria em seu ensinamento sobre o exame está de acordo com essa observação antropológica.

“Exame de Consciência”, do Diccionario de San Josemaria Escrivá de Balaguer